História do Ushuaia



Apénas no final do século XIX começou a explotação pecuária aportada pelos navegantes européus, sendo a sua população aborigem constituida por onas ou selkman e yaganes ou yamanas.

Os Selkmam ou onas, eram essencialmente caçadores terrestres e coletores nómades, que moravam em grande parte da Ilha de Tierra del Fuego, desde as planícies próximas ao estreito de Magalhães, até a área compreendida entre o rio Grande e os aoredores do canal Beagle.

A sua terra davam-lhe o nome de Karukinka.

Cada grupo Selkmam ou Selk'nam ocupava um distrito territorial chamado de haruwen (terra), nos que moravam grupos relacionados por parentesco e com limites geográficos pre-estabelecidos, que deviam ser respeitados pelos seus vizinhos para manter uma voa convivência. Em cada território, os seus habitantes tínham direito de caçar, arrecadar frutas silvestres, estabelecer os seus lugares de acampamento e realizar todas as atividades necessárias para preservar a subsistência do grupo.

Os Selk'nam do norte da ilha, dedicavam-se preferentemente à caça do guanaco e do cururu (variedade de roedor), completando a sua dieta com aves, raposas, alguns frutos silvestres e produtos de origem marinho.

Suas moradías estavam constituidas por toldos leves em forma de para-ventos semicirculares, construidos com varas de madeira cobertas por peles de guanaco, ou choças cônicas feitas com ramas de arbustos, matagales e grama.

Os do sul da ilha, caçavam principalmente o guanaco e complementavam a alimentação com aves, raposas e variados produtos do mar. Habitavam em veras cabanhas de forma cônica construidas com troncos de madeira, recheiando os espaços entre os troncos com varas finas, líquenes e musgo.

A vestimenta estava constituida por longas capas de pele de guanaco, ou com pele de cururu, utilizando além mocassins de pele de guanaco e os caçadores completavam a sua vestimenta com o kóschel, um enfeite triangular de pele do mesmo animal, ao que se dava uma conotação mágica porque se pensava que favorecía a caçeria do guanaco.

A caça, tanto do guanaco quanto da raposa, estava reservada aos hómens, para o que utilizavam o arco e flecha, valendo-se além dos cães para acossar e perseguir à presa.

As aves eram capturadas mediante a utilização de armadilhas com laços corrediços ou com garrote.

Na zona costeira arrecadavam moluscos, e eventualmente utilizavam rudimentares arpões para obter peixes em restinga e efetuar a caça de algum lobo marinho. A mulher dedicava-se preferentemente às atividades próprias da moradía e as crianças, a preparação dos couros e a cestaria, além da colheita de produtos vegetáis, moluscos e caça de peixes.

A permanência do grupo num acampamento era só temporal, mudando geralmente desde uns poucos dias até algumas semanas, pelo que as mulheres deviam se-encarregar do traslado de todos os aprestos domésticos e das crianças cada vez que mudavam de lugar o assentamento.

Os Selk'nam possuiam um mundo de crenças muito rico expressado através dos seus mitos, lendas e cerimônias sociais que refletiam uma cosmovisão muito particular.

Depois do contato com os aborígens, referido por Antonio Pigafetta nas suas crônicas da viagem de Magalhães, o primeiro contato direto conhecido corresponde à expedição de Pedro Sarmiento de Gamboa durante a sua primeira viagem ao estreito de Magalhães em 1580.

Nessa ocasião os espanhóis encontraram um grupo de naturais nas imediações da baia Gente Grande, oportunidade na que, os navegantes tiveram uma briga como consequência de ter tomado cativo a um aborigem.

Os séculos seguintes foram testemunha de uma relação entre européus e aborígens que continuou em forma intermitente pelo passo de navegantes de diferentes nacionalidades, devido ao interesse exploratório, comercial e de caráter científico que suscitou na Europa o estreito de Magalhães. Finalmente, essa relação acabou no começo da colonização moderna do território fueguino nas últimas décadas do século XIX.

Se acha que para 1882, a população selk'nam alcançava aoredor de 2500 habitantes.

O impacto da ação colonizadora ocasionou a rápida extinção dessa etnia, que em poucas décadas viu-se reduzida a um pequeño grupo, com escasas possibilidades de sobrevivência.

No começo do século XX não ficavam mais de uns centenares de sobreviventes dispersos pelos bosques meridionáis ou bem amparados pelas missões salesianas e pela família Bridges. Na primeira década do século os sacerdotes salesianos estimavam que os remanentes da população indígena não superavam as 350 pessoas, cifra que continuou descendo até finalizar o século XX com a morte de Lola Kiepia 9 de outubro de 1966 e Angela Loij, considerada uma das últimas Selk'nam que conservavam a língua de orígem, quem morreu em 1974.

Os Yamanas ou yáganes, ocuparam ambas beiras do Canal de Beagle e canais adjacentes até o cabo de Hornos, habitando a zona litoral marítima, caçavam fundamentalmente lobos marinhos sendo uma das suas principais fontes de alimentação. Sua contextura física era de torso largo e comprido em contraste com as suas extremidades inferiores.

Durante as incursões de navegantes audazes européus a partir do século XIX, os yamanas, são surpreendidos pelo bergantim Beagle, sulcando as águas do canal, ao que posteriormente, se daria o nome da citada nave, começando assim os primeiros contatos com o homem branco.

Depois de mais de 6000 anos de vida na zona, os habitantes mais austrais da terra começam a receber expedicionários européus, etapa na que misturam naufrágios e pequenos combates, com matanças de lobos marinhos que vão deteriorando a vida dos nativos fueguinos.

A partir de 1881 começou a explotação do ouro no território. Os mineiros estabelecidos no norte da ilha, não demoraram em fazer contato com os selk'nam, causándo prejuízos, tais como a apropriação forçada das suas mulheres e inclusive o assassinato de homens com a conseguinte reação violenta dos aborígenes.

Interessados na explotação, arrivaram à ilha diferentes pessoas entre as quais podemos mencionar uma interessante personagem que foi o engenheiro Rumano Julio Popper, quem na sua juventude tinha percorrido já diversos lugares do mundo, arrivando à Argentina em 1885, para se-trasladar a Tierra del Fuego onde instalou-se na paragem El Páramo em 1888. Essa paragem está localizada no norte da ilha e aí o Engenheiro dedicou-se a explorar a riqueza aurífera da beira fueguina, conseguindo sucesso, poder e influência na zona, chegando a acunhar a sua própria moeda, um selo postal e criando um pequeno exército particular, sobre o modelo prusiano.

Em 1871 vira definitiva a instalação da Missão Anglicana a cargo do reverendo Thomas Bridges, nas imediações do atual aeroporto de Ushuaia, na península homônima.

O 18 de Junho de 1872, nasceu em Ushuaia Tomás Despard Bridges, o primeiro menino branco fueguino.

No mês de setembro de 1884, ancora na baia de Ushuaia, a divisão expedicionária ao Atlântico Sul da Armada Argentina, comandada pelo Comodoro Augusto Laserre, com o fim de instalar uma sub-prefeitura, o 12 de outubro desse ano, ao hastear o nosso pavilhão frente à baia de Ushuaia fica inaugurado oficialmente. Cada ano comemora-se esse mesmo dia o nascimento da cidade.

Por decreto presidencial, 27 de Junho de 1885, Ushuaia é designada capital e assento da governação de Tierra del Fuego.

Começa a chegada de pioneiros, atraídos tal vez pelos comentários acerca da existência de ouro em Tierra del Fuego.

Mesmo assim uma idéia preocupa ao Governo da Nação, o interesse em conseguir a radicação definitiva de povoadores nesse solo. É assim que tendo como referência a política de paises como França e Inglaterra, o Governo Argentino vislumbra a possibilidade de instalar um presídio no arquipélago fueguino. Várias foram as tentativas, até que instala-se uma prisão militar na Ilha dos Estados, sendo depois trasladada a Bahía Golondrina, nas imediações de Ushuaia, em 1902.

Paralelamente coloca-se a pedra fundamental do prédio que ainda hoje pode se-observar e que albergou presidiários comúns, militares, e em alguma ocasião políticos.

Essa instituição que desde 1911 foi Presídio e prisão de Reincidentes de Tierra del Fuego significou, na história da cidade, um marco histórico que marcou o seu perfil durante a primeira metade do século. As suas oficínas de imprensa, fotografía, alfaiataria, calçado, carpintaria, padaria, serviço médico e farmácia, cobria as necessidades de uma população separada do seu centro de forneçimento principal por uma grande distância e por barcos que chegavam, com sorte, uma vez por mês.

No princípio do século o pequeno povoado viu com agrado a chegada de algumas famílias de diferentes orígens, croatas, espanhóis, libaneses, lituanos, etc., os que por diferentes motivo vieram a Tierra del Fuego. Alguns, assim que finalizadas as suas tarefas decidiram radicar-se e não voltaram ao seu pais de orígem. Em 1947, o governo da Nação decidiu fechar a prisão e a totalidade das instalações foram adquiridas pelo Ministério da Marinha, criando em 1950 a Base Naval Ushuaia Almirante Berisso.
A década de '70 marca mais uma etapa na história da cidade, com a sanção da lei de Promoção Industrial Nº 19.640, muitos argentinos originários de outras províncias, sentem-se atraídos pela possibilidade de trabalho e poupança. Desde então Ushuaia viu multimplicada a sua população.


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